Ex-aluno da FAOP, Pedro Drummond fala sobre a vida e obra de seu avô no Fórum das Letras


  • Pedro Augusto Drummond, em visita a FAOP, e Júlia Mitraud, presidente da FAOP. (Foto | Luiza Magalhães)

Nascido em Buenos Aires, filho do escritor argentino Manuel Graña Etcheverry e da brasileira Maria Julieta Drummond de Andrade, Pedro Augusto Graña Drummond, o caçula do casal, é ilustrador, artista visual, cenógrafo e, atualmente, um dos responsáveis por divulgar e popularizar ainda mais a obra do avô, Carlos Drummond de Andrade.

Participante do debate Vem, Carlos, ser gauche na vida, abertura do Fórum das Letras, que ocorreu no Cine Vila Rica, em Ouro Preto/MG, na quarta-feira (22/11), Pedro, que atualmente reside no Rio de Janeiro, falou sobre sua relação com a antiga capital mineira e sobre seus anos como aluno da Fundação de Arte de Ouro Preto | FAOP.

Em 1977, Pedro Drummond fez sua primeira visita a Ouro Preto, cidade que, desde então, visita anualmente. Residindo na Argentina, resolve então se mudar para o Brasil, em 1980, fugindo da ditadura militar comandada por Jorge Rafael Videla.

Desta forma, o jovem, após um mês residindo no Rio de Janeiro com o avô, muda-se Minas, com a intenção de aprender a trabalhar pedra sabão. Neste momento, Drummond lhe dá “o livro Esquecer para Lembrar (Aonde) Ele colocou uma dedicatória dizendo: ‘Caro Pedro, talvez você encontre em Ouro Preto vestígios do que foi a minha remota infância em Itabira’”.

Em Minas Gerais, Pedro decidiu se inscrever no curso de esculturas, ministrado pelo artista plástico Amilcar de Castro, na FAOP, onde começou por esculpir cachimbinhos e estatuetas em pedra sabão.

A importância de Ouro Preto para a família Drummond foi destacada por Pedro ao falar sobre como muitas poesias de Carlos Drummond de Andrade tinham a cidade como pano de fundo ou como tema central. Poemas como Estampas de Vila Rica, Morte das Casas de Ouro Preto, O Voo Sobre as Igrejas e outros, foram ambientados na antiga capital.

Pedro Drummond falou sobre sua admiração e paixão por Ouro Preto. “Se eu vim morar em Ouro Preto, e amo essa cidade, é devido ao Carlos e a minha mãe (Maria Julieta Drummond). Eles estiveram aqui!”, afirmou.

ABERTURA DO FÓRUM DAS LETRAS

Já passava das 18h30, horário previsto para a abertura oficial do Fórum das Letras, quando começou o debate Vem, Carlos, ser gauche na vida no Cine Vila Rica, em Ouro Preto/MG. O mediador escolhido para guiar o evento foi o jornalista cearense Edmilson Caminha, que principiou sua fala prestando solenidade a Carlos Drummond de Andrade, poeta homenageado no evento deste ano, cujo trabalho destacou como “antídoto ao ódio, intolerância e miséria que nos assola”.

O debate também contou com a participação do biógrafo do poeta, Humberto Werneck, autor de O Destino da Rapaziada, livro que mostra a amizade e boêmia de diversos escritores residentes em Belo Horizonte durante a primeira metade do século XX. Werneck contou causos bem humorados que permearam a vida de Drummond desde a sua infância até a velhice. 

Drummond registrou os primeiros trotes na capital mineira. Segundo Humberto Werneck, o poeta tinha o hábito de ligar constantemente para seu amigo, o também escritor Fernando Sabino, com a intenção que ele fosse “vítima” de alguma das suas pegadinhas, costume que Sabino também alimentava pelo poeta.

Pedro Augusto Drummond contou como o avô, quando adolescente, foi suspeito de colocar fogo na casa da família Vivacqua com a intenção de fazer com que as mulheres saíssem de camisola para a rua. 

Já na terceira idade, o escritor tinha o costume de mostrar a dentadura para crianças acompanhadas dos pais na rua. Quando corriam em direção às mães para contar da cena, Drummond rapidamente voltava com os dentes para o lugar e, comumente, ouvia as mães falando para os filhos deixarem aquele amável senhor em paz.

Humberto Werneck ainda destacou a “inveja” que o reservado Carlos Drummond de Andrade nutria pelo músico e poeta Vinicius de Moraes, pois este era desinibido, desenvolto e extrovertido, sendo visto como sua antípoda. 



27/11/2017