Governo de Minas Gerais e Governo Francês se juntam na construção de plataforma cultural colaborativa


    Quatro dias de imersão nos mais variados temas que evolvem a construção de políticas públicas e privadas no âmbito da cultura, com participação da sociedade civil, auditórios lotados e debates com especialistas nacionais e internacionais. Assim pode ser resumido o Fórum Políticas Culturais em Debate, que chegou ao fim na manhã deste sábado (27) com o compromisso de criar uma Plataforma Internacional Colaborativa para a cultura. Sediado fora da Europa pela primeira vez, o Fórum aconteceu nos espaços do Circuito Liberdade e foi realizado pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Cultura; pelo Sesc em Minas, Institut Français, Ministério da Cultura francês e pela Embaixada da França no Brasil. Toda a programação foi gratuita.

    Durante a cerimônia de encerramento foi apresentado um resumo dos assuntos discutidos nas Ágoras – mesas redondas – e as propostas discutidas nos World Cafés – grupos de trabalho. Um dos palestrantes mais ativos durante o Fórum, Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura do Brasil, elogiou a dimensão colaborativa e a horizontalidade das discussões. “Na multiculturalidade temos que pensar os aspectos relativos ao afeto, aquilo que move o indivíduo. Abrir e ampliar o diálogo e ser capaz de entender e absorver os diferentes modos de manifestação da cultura. Acho que o Fórum capaz disso”, avaliou Juca.

    Cinco temas ocuparam os trabalhos durante a semana: Territorialização, Descentralização; Ferramentas de Observação Cultural; Participação dos Habitantes na Vida Artística e Cultural; Turismo, cultura e desenvolvimento; Economia cultural criativa. Durante o encerramento, facilitadores expuseram suas avaliações sobre as discussões tratadas ao longo do evento. A inserção da população na vida artística e cultural de onde estão inseridas foi uma preocupação citada na fala de Cleide Fernandes, representante da Secretaria de Cultura. “Um dos nossos grandes desafios é pensar uma política de aproximação de territórios, inserir as pessoas no fazer e pensar da cultura. Precisamos olhar mais para o outro e menos para nós mesmos”, pontuou. Criar mecanismos de fomento à cultura em microterritórios, como forma de inclusão socioeconômica, foi a defesa de Priscila Duarte, também da SEC. “Existe uma necessidade de se desburocratizar o espaço de debate e criar mecanismos capazes de impulsionar a economia cultural criativa como forma de incluir as pessoas no processo cultural”.

    Toda essa fruição possibilitada pelo Fórum foi elogiada também pela comitiva francesa que participou das discussões, conforme resumiu Jean-Pierre Saez, diretor do Observatório de Políticas Culturais de Grenoble, na França. “Tive a sorte de encontrar pessoas que me ajudaram a descobrir outras realidades sobre a cultura nos últimos dias. Esses encontros nos fazem ultrapassar as fronteiras da monocultura e cria novas formas de olhar, de observação cultural”. A força desse intercâmbio cultural foi ratificada pelo Adido Cultural da França no Brasil, Jean Pascal Quilès, que enalteceu as políticas culturais em curso no Brasil. “Aprendi muito nesses dias, a troca de experiências é fundamental. Fomos surpreendidos com o que os brasileiros e os mineiros têm realizado. Minas Gerais é o lugar da inovação este ano”, afirmou Jean Pascal.

    A parceria entre poder público e sociedade civil organizada exibe grandes potencialidades, e essa energia foi sentida por Bertrand Munin, Sub-diretor da Difusão Artística e dos Públicos do Ministério da Cultura da França, que manifestou sua satisfação com os trabalhos realizados. “A parceria entre o Governo Francês e o de Minas Gerais me deixa entusiasmado. Pessoas motivadas e com uma visão ampla sobre a cultura é o caminho para estabelecermos mecanismos estruturantes para o desenvolvimento do setor”, disse.

    Assim como os representantes do poder público francês, o Governo de Minas Gerais se comprometeu com a construção efetiva dessa complexa plataforma cultural a médio e longo prazo. Foram as palavras do secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, que encerraram o Fórum com uma mensagem de comprometimento. “A política cultural não pode ser estanque, pois a cultura não é estanque. A vida cultural transcorre em toda a parte”, avaliou. “Saio daqui revigorado com o compromisso de criarmos essa Plataforma Internacional Colaborativa, certo de que já demos o primeiro passo”, finalizou o secretário.

    Toda a programação e o conteúdo do que foi discutido no Fórum está disponível no site www.forumpoliticasculturais.mg.gov.br



29/05/2017