Minas Gerais recebe especialistas do Brasil e do exterior durante Fórum Políticas Culturais em Debate


De 24 e 27 de maio Minas Gerais sedia o Fórum Políticas Culturais em Debate. É a primeira vez que o evento acontece fora da Europa. Realizado pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Cultura; o Sesc em Minas; o Institut Français e a Embaixada da França no Brasil, o Fórum acontece nos espaços do Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Especialistas renomados do Brasil e da França estarão presentes, envolvidos em inúmeras mesas-redondas e grupos de trabalho. Ao final de quatro dias do evento, a criação de uma plataforma será anunciada, cuja meta é contribuir para a estruturação e continuidade das políticas culturais públicas e privadas no Brasil, bem como seus desafios e rumos na atualidade e nas próximas décadas. Toda a programação é gratuita e as vagas, limitadas, estão esgotadas. Haverá transmissão de todo o evento via internet. A programação completa pode ser consultada em www.forumpoliticasculturais.mg.gov.br

 

Entre os especialistas que chegam da França, constam Jean-Pierre Saez, diretor do Observatório de Políticas Culturais (Grenoble); Lionel Arnaud, professor de sociologia na Universidade Paul Sabatier (Toulouse 3); o economista e professor da Universidade de Angers (França), Dominique Sagot-Duvauroux. Na comitiva que representa o Ministério da Cultura e da Comunicação francês estarão presentes ainda Bertrand Munin, subdiretor da difusão artística e dos públicos na Direção Geral da Criação Artística (DGCA); o pesquisador em socioeconomia da cultura Jean-Michel Guy. Katherine Watson (Canadá, Finlândia), Diretora da Fundação Cultural Europeia (ECF), é outro dos inúmeros destaques. Igualmente notável é a lista de nomes brasileiros, que exibe, entre outros especialistas, o ensaísta Francisco Bosco; Teixeira Coelho, professor titular da Universidade de São Paulo; Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura; Isaura Botelho, doutora em Ação Cultural pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

 

O Fórum foi concebido como um espaço para o diálogo entre diversos profissionais da área da cultura, bem como de outras áreas do saber, para a construção de uma plataforma internacional colaborativa, com espaços de reflexão, de formação e propostas de consultoria a agentes culturais públicos e privados.

Trata-se de um momento de imersão. Ao longo de quatro dias, será proposto um amplo diálogo com atores de vários setores sobre o papel e conteúdo dessa plataforma, questões de governança e do seu funcionamento. No período da manhã, acontecem as Ágoras, mesas-redondas com a participação de experts nacionais e internacionais. Os temas das Ágoras são territorialização e descentralização; ferramentas de observação cultural; participação dos habitantes na vida artística e cultural; turismo, cultura e desenvolvimento; e economia cultural criativa.

 

Na parte da tarde, os participantes de cada Ágora se reúnem em World Cafés, um procedimento criativo que visa facilitar o diálogo construtivo e o compartilhamento de ideias sobre os temas abordados na parte da manhã. Esse processo reproduz um ambiente acolhedor e descontraído de um café e permite que os participantes debatam sobre diferentes questões relacionadas aos temas abordados por cada uma das Ágoras.

 

Ao mesmo tempo, comitês criativos irão trabalhar na idealização da plataforma. No último dia do evento será feita uma Devolutiva, onde será apresentada uma carta de intenção com as propostas para sua criação.

 

Para a concepção do Fórum a ser realizado em Minas Gerais, uma comitiva formada por representantes do Sesc em Minas e da Secretaria de Cultura estiveram na França neste ano e visitaram o Ministério da Cultura e da Comunicação Francês. Também foram a Grenoble, no sudeste da França, onde visitaram o Observatório de Políticas Culturais, referência internacional no acompanhamento e reflexão sobre desenvolvimento e gestão cultural.

 

A coordenação geral é composta por Lucas Guimaraens (Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Cultura), Francine Póvoa (Sesc em Minas) e Jean-Pascal Quilès (Embaixada da França).

 

QUEM PODE PARTICIPAR?

A proposta do Fórum é criar a plataforma de modo colaborativo. O evento reúne pessoas de referência no Brasil: artistas e agentes culturais, fundações, pesquisadores, políticos, secretários e dirigentes responsáveis pela cultura nas cidades, empresas públicas e privadas. Além disso, também estão convidados a participar membros da sociedade civil, criando um espaço para trocas e diálogos na forma de fóruns participativos abertos.

A PLATAFORMA

Dentro de uma parceria que inclui o Governo Francês, através da Embaixada da França e do Instituto Francês no Brasil, o Governo do Estado de Minas Gerais e o Sesc em Minas, será realizada a construção de uma Plataforma Cultural com intercâmbio de conhecimento e práticas da área cultural. Essa plataforma tem a meta de contribuir para a estruturação e para a continuidade das políticas culturais públicas e privadas no Brasil.

A plataforma é iniciada dentro da cooperação franco-brasileira e tem um porte nacional e internacional aberto a outros países. A Plataforma oferecerá espaços de reflexão, de formação e proposta de consultoria aos agentes culturais. Também acompanhará a implementação da mudança nas organizações públicas (Federal, Estadual, Municipal) e privadas (empresas culturais, empresas apoiadoras da cultura, etc.).

 

OBJETIVOS

•         Conexão internacional, principalmente com a França e União Europeia;

•         Inovação tanto nos métodos quanto nas produções;

•         Territorialização das políticas culturais;

•         Pesquisa, observação e formação;

•         Integração e abertura das práticas e dos saberes (transversalidade dos conhecimentos e dos campos: esporte, social, saúde, educação, ciências, etc.).

 

AS ÁGORAS

 

TERRITORIALIZAÇÃO, DESCENTRALIZAÇÃO

A política cultural deve se atentar às diversidades territoriais e regionais, uma vez que esta advém dos fluxos e interações plurais – e é ela que está no centro das dinâmicas culturais. O “princípio de relevância” que mapeia e organiza esta dinâmica em diferentes níveis de institucionalidade pode permitir o desenvolvimento de políticas culturais com maior o menor grau de aproximação e representatividade local. De outro lado, a descentralização cultural – em suas diversas formas – ora horizontais, ora verticais, reforça uma rede de autonomia e interdependência entre representações e estratégias administrativas. Neste sentido, busca-se, aqui, compreender quais os rumos trilhados pelas representatividades internacionais e brasileiras, e quais os caminhos possíveis para vitalizar o acesso e a apropriação da vida cultural notadamente pela juventude e pelos agentes criadores e propositores de obras culturais.

FERRAMENTAS DE OBSERVAÇÃO CULTURAL

As políticas culturais devem prever a diversidade e a pluralidade de expressões e atores culturais. A cultura é ao mesmo tempo uma estrutura preestabelecida e uma dinâmica fluida e diversa, o que torna sua análise e sua observação complexas. Como estrutura, a cultura possui elementos estáveis que levam a concebê-la como substrato identitário e de reconhecimento de uma sociedade, a partir de levantamentos históricos de seu patrimônio cultural. Em sua característica dinâmica, a cultura é constantemente submetida à mudança e à história. De acordo com o ângulo de análise escolhido, a interpretação do quadro cultural de uma determinada sociedade também se altera. Esta interpretação é notadamente modificada de acordo com a escala da observação e do recorte empírico realizado. Quais seriam, pois, os instrumentos de observação cultural existentes – na esfera pública e privada – e qual a relevância destes para o desenvolvimento da vida cultural e das políticas culturais em seus desdobramentos?

PARTICIPAÇÃO DOS HABITANTES NA VIDA ARTÍSTICA E CULTURAL

As diversas camadas de institucionalidade da cultura jogam um duplo papel (aparentemente contraditório) na dinâmica cultural dos territórios: ao mesmo tempo em que podem propiciar as bases necessárias ao desenvolvimento de uma vida cultural rica e diversa, podem também coibir o fluxo dessa mesma vida cultural, principalmente em seus aspectos mais propositivos e urgentes, na medida em que as instâncias de representação não conseguem contemplar toda a realidade, dificultando “dar voz às vozes” na vida pública. A sociedade civil não é apenas uma usuária ou um público potencial das políticas culturais. Trata-se sobretudo de cidadãos suscetíveis de se apropriarem da e na vida cultural local em todas as suas dimensões. A política pública é, assim, compreendida em sua horizontalidade, com foco na centralidade de todos os setores da vida pública. Para além disso, há o reconhecimento de que a vida cultural é algo que antecede e atravessa as camadas de institucionalidade e que, antes de uma harmonização integral entre essas duas instâncias (vida/instituição), é desejável que, do jogo de tensões e diálogos entre elas, resulte uma vida cultural pulsante, plena de contemporaneidade e de reconhecimento das histórias culturais locais. Deste ponto de vista, a participação dos habitantes na vida artística e cultural corresponde a uma necessidade de problematização das normas democráticas. Trata-se, pois, de uma participação na tomada de decisões a fim de contemplar as realidades locais, bem como da capacidade de sustentar as divergências de modo criativo e propositivo. No setor cultural, qual o estado das coisas nas experiências a serem apresentadas?

TURISMO, CULTURA E DESENVOLVIMENTO

O turismo cultural possui um importante papel a desempenhar no diálogo transcultural. Entende-se, aqui, a necessidade de reconhecer as políticas afirmativas e, a partir delas, estar aberto para o preenchimento de lacunas existentes por meio de uma contaminação horizontal entre as diversas identidades culturais. O patrimônio cultural – material e imaterial – atrai inúmeros turistas para diversas localidades do mundo e pode constituir em um importante instrumento para o desenvolvimento econômico e cultural de um território, bem como possibilita a criação de espaços de encontro do diferente transcultural. A sensibilização, a educação e a formação de pessoas são indispensáveis para que haja a participação da sociedade civil nos processos de preservação e de valorização do patrimônio. Neste sentido, quais seriam as políticas públicas desenvolvidas para o incremento deste setor? Quais as experiências já realizadas nos países, estados/regiões e municípios concernentes? Como tornar o patrimônio cultural um fator de atratividade nas áreas da economia e da educação?

ECONOMIA CULTURAL CRIATIVA

Pensar a relação entre economia, cultura e criatividade pressupõe, logo de início, refletir sobre uma outra relação, anterior a esta: aquela entre cultura, mercado e Estado. À visão da cultura como direito garantido pelo Estado, contrapõe-se o discurso que aponta os limites de uma política cultural excessivamente institucionalizada, com todo risco latente de tutelamento, normatização e verticalização que isso engendra. Para o seu desenvolvimento, a política pública deve realizar análise de dados, fomentar os diversos setores culturais e dar visibilidade a eles, compreendendo o potencial cultural de cada território, enquanto os diversos agentes independentes do mercado cultural trabalham pela organização de pautas diversas que permitam o crescimento econômico de suas atividades. Partindo deste cenário, o debate buscará contrapor diferentes falas que problematizam o status atual da economia cultural criativa, bem como as formas possíveis de seu desenvolvimento, tendo como espelho os desafios enfrentados neste tema pelas políticas culturais francesa e brasileira.

PALESTRANTES

Jean-Pierre Saez: Diretor do Observatório de Políticas Culturais (Grenoble, França) e da L’Observatoire – revista semestral sobre políticas culturais. Encarregado de ministrar cursos no Instituto de Estudos Políticos de Grenoble, ele é presidente do Centre International de Musiques Nomades – Les Détours de Babel. Especialista junto a diversos organismos franceses e europeus (Conseil des collectivités pour le développement culturel, Fondation Genshagen…), participa ativamente da realização de diversas redes, reuniões, formações sobre políticas culturais e articulação local e internacional. Seus trabalhos procuram cruzar mecanismos artísticos e culturais com desafios de sociedade e políticas públicas a nível territorial.

Bertrand Munin: Subdiretor da difusão artística e dos públicos na Direção Geral da Criação Artística (DGCA), no Ministério da Cultura e da Comunicação francês, desde janeiro 2016. Foi conselheiro para o teatro na Direção Regional dos Afazeres (“affaires”) Culturais (DRAC) de Lorraine, de 2003 a 2006, e conselheiro para o teatro, assessor da animação do serviço do “espetáculo vivo” (artes cênicas e música) na DRAC da região Rhônes Alpes de 2011 a 2015. Bertrand Munin teve também diferentes cargos de gestão de estruturas culturais e produção artística, coordenação e recepção de companhias de teatro no Norte (Théâtre en scène), de 1992 a 1996; Desenvolvimento e acompanhamento de um centro de criação / difusão na cidade de Roubaix (Le Gymnase), de 1999 a 2002. Doutor em Literatura francesa sobre o teatro de Corneille e professor-pesquisador na Universidade de Lille, de 1996 a 2001, e na Universidade de Valenciennes, de 2001 a 2002.

Teixeira Coelho: Professor titular da Universidade de São Paulo, aposentado. Na USP, obteve também os títulos de livre-docente e professor adjunto, perfazendo a carreira universitária completa. Professor emérito da Universidade de São Paulo em 2015. Anteriormente, diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP (1998-2002) e curador-coordenador do Museu de Arte de São Paulo-MASP (2006-2014). Foi professor de Teoria da Informação e Percepção Estética e de História da Arte da Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie. É especialista em Política Cultural e colaborador da Cátedra UNESCO de Política Cultural da Universidade de Girona, Espanha. Coordenador do curso de especialização em gestão e política cultural do Observatório Itaú Cultural em colaboração com a Universidade de Girona desde 2008. Curador de diversas exposições realizadas no Brasil e no exterior; co-curador da Bienal de Curitiba 2013 e curador-chefe da Bienal de Curitiba em 2015. Autor de diversos livros sobre cultura e arte, é ficcionista (Prêmio Portugal Telecom 2007 pelo livro História Natural da Ditadura, publicado em 2006, pela Ed. Iluminuras).

Juca Ferreira: Sociólogo e ambientalista. Foi líder estudantil secundarista e chegou a ser eleito presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundários (UBES) no dia em que foi decretado o AI-5. Ingressou na resistência ao regime militar, passou nove anos exilado no Chile, na Suécia e na França, onde se formou em Sociologia. De volta ao Brasil, Juca integrou a equipe do Projeto “Axé, nova pedagogia para crianças de rua”. Membro da Executiva Nacional do Partido Verde, ele foi secretário de Meio Ambiente da Prefeitura de Salvador, vice-presidente da Fundação Ondazul, coordenador do Centro da Referência Negromestiça, vereador de Salvador (já no terceiro mandato) e um dos cinco representantes da sociedade civil na Agenda XXI brasileira. Foi ministro da Cultura durante o governo Lula.

Jean-Michel Guy: Engenheiro e pesquisador no Ministério da Cultura e da Comunicação (França). Dirige e realiza desde 1981 estudos e pesquisas em socioeconomia da cultura. Suas obras tratam essencialmente da questão dos públicos da cultura (públicos do teatro, da dança, do circo, do cinema) e das práticas culturais. Dirige atualmente um estudo sobre as representações de cultura na população francesa. Participou várias vezes de grandes exercícios sintéticos sobre a política cultural (Pour une refondation de la politique culturelle, travaux de la Commission Rigaud, 2000, e Culture et Médias 2030 – une prospective de la politique culturelle, 2012).

Isaura Botelho: Doutora em Ação Cultural pela Escola de Comunicações e Artes da USP, tendo feito um pós-doutorado na França, voltado para o exame das pesquisas socioeconômicas na área da cultura realizadas naquele país. Gestora cultural desde 1978, especializou-se, ao longo de sua carreira, em planejamento e formulação de políticas públicas de cultura, ligada a instituições do governo federal: Funarte, Biblioteca Nacional e o próprio Ministério da Cultura. Pesquisadora, ela é autora de livros, artigos e ensaios sobre política cultural; tem ministrado cursos em diferentes instituições, bem como tem prestado consultoria a instituições tanto no plano da formulação de políticas quanto no de formação de gestores.

 

Rachel Vianna: Professora e pesquisadora da Escola Guignard, Universidade do Estado de Minas Gerais. Tem doutorado em educação pela USP, com bolsa sanduíche na University of Roehampton, em Londres. Cursou o mestrado em arte-educação na University of Texas in Austin, bacharelado em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG e licenciatura em educação artística pela Escola Guignard. Coordena o Grupo de Pesquisa “Mediação em Arte e Cultura: Teorias e métodos”, na UEMG. Desenvolve estudos e projetos na área de mediação em museus de arte e centros culturais. Responsável pelo programa educativo de exposições na Casa Fiat de Cultura (Rodin: do ateliê ao museu; O mundo mágico de Marc Chagall; De Chirico: o sentimento da arquitetura e Barroco Itália-Brasil) e no Museu da Liturgia, entre outras. Produziu material didático para o Programa Educação pela Arte, do Instituto Ayrton Senna, e para o Programa Veredas: Formação Superior de Professores, da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Responsável pela concepção e coordenação do projeto de intervenção urbana Água da Rua, realizado com patrocínio da COPASA, no Bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte (2011).

 

Cristina Lins: Consultora em Indicadores Culturais do Ministério da Cultura do Brasil, ela é economista e Mestre em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais pela ENCE/RJ. Trabalhou no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo que, de 2004 a maio de 2015, atuou como responsável técnica do Sistema de Informações e Indicadores Culturais, estudo desenvolvido em parceria com o Ministério da Cultura – MinC.

 

Lionel Arnaud: Professor de sociologia na Universidade Paul Sabatier (Toulouse 3, França) e membro do Laboratoire des Sciences Sociales du Politique (Escola Science Po Toulouse). Seus temas de pesquisa são voltados principalmente para as políticas e os dispositivos de desenvolvimento sociocultural das cidades e dos movimentos culturais, e também para os processos de politização e de despolitização da cultura e das práticas culturais.

 

Clarice Libânio: Bacharel em Ciências Sociais com habilitação em Antropologia e mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG; Doutoranda em Arquitetura e Urbanismo – UFMG; sócia-diretora da Habitus Consultoria e Pesquisa Ltda.; Coordenadora-executiva da ONG “Favela é Isso Aí”; Coordenadora do Programa Lumes – Lugares de Urbanidade Metropolitana – CEDEPLAR / UFMG; Membro do Consórcio Pense Cultura; Autora do Guia Cultural das Vilas e Favelas de Belo Horizonte, entre outros livros; Professora de diversos cursos na área da Gestão Cultural, Diagnóstico participativo, mapeamento cultural, Elaboração e avaliação de Projetos Sociais e culturais; Gestora do Ponto de Cultura Centro de Referência em cultura Popular Urbana, da ONG “Favela é Isso Aí”. Através do trabalho realizado no “Favela é Isso Aí”, recebeu a Medalha Santos Dumont, categoria Prata, pelos relevantes serviços prestados à área cultural do Estado, além do Prêmio Cultura Viva – 2010, primeiro lugar na categoria Organização da Sociedade Civil.

 

Zulu Araújo: Atua na militância do movimento negro. Ele foi diretor de Cultura e conselheiro do Grupo Cultural Olodum por 10 anos, administrador e coordenador cultural da Praça do Reggae, assessor especial da Secretaria de Cultura da Bahia e da Fundação Cultural do Estado e coordenador-geral da celebração dos 300 anos de Zumbi dos Palmares. Em 2003, tornou-se diretor de Promoção, Intercâmbio e Divulgação de Cultura Afrobrasileira da Fundação Palmares. Já em 2007, foi indicado pelo então ministro Gilberto Gil, para presidir a Fundação. Além disso, foi representante do Brasil na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Arquiteto de formação, Zulu é também ex–Diretor da Casa da Cultura da América Latina/UNB, além de ter sido Chefe do Comissariado da Delegação Brasileira no III Festival Mundial de Artes Negras – FESMAN. No momento, é Diretor Geral da Fundação Pedro Calmon/Secult-Bahia.

 

Eliane Parreiras: Atua nas áreas de gestão e produção cultural há 22 anos, com experiência em instituições do poder público e da iniciativa privada. Foi Secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais (2011-2014), gerindo todo o Sistema Estadual de Cultura. No período, foi Presidente do Conselho Estadual de Política Cultural, do Conselho Estadual de Patrimônio Cultural e dos Conselhos da Fundação Rede Minas de Televisão, da Rádio Inconfidência, da Fundação Clóvis Salgado e da Fundação de Arte de Ouro Preto. Foi Presidente da Fundação Clóvis Salgado (2009-2010), Gerente do Circuito Cultural Praça da Liberdade e Diretora Executiva do Instituto Cultural Usiminas, gerindo a política de investimento cultural do Grupo Usiminas. Ao longo desses anos, ministrou diversos cursos, inclusive em pós-graduações, na área de gestão cultural. É Gerente de Cultura do SESC em Minas Gerais.

 

Françoise Benhamou: Economista, professora universitária e membro do colegiado da ARCEP (Agência Reguladora das Comunicações Eletrônicas e dos Correios). Ela é membro do Círculo dos Economistas e presidiu a ACEI (Association for Cultural Economics International). É também membro do conselho científico do Laboratório de Excelência Indústria Cultural e Criação Artística, membro do Comitê de Redação da Revista Esprit, do Conselho de orientação da Fundação Jean Jaurès e do Comitê consultivo dos programas do canal ARTE. 

 

Ana Carla Fonseca: Profissional de referência em economia criativa, cidades criativas e negócios criativos, é Administradora Pública (FGV), onde se formou aos 20 anos; Economista, Mestre cum laude em Administração, Doutora em Urbanismo (USP – primeira tese do país sobre cidades criativas) e professora no Brasil (FGV), na Argentina e na Espanha. Liderou projetos em multinacionais por 15 anos, na América Latina, em Londres e Milão. É diretora da empresa Garimpo de Soluções, consultora e conferencista em cinco línguas e 30 países e assessora para a ONU. Escreveu livros inovadores, como Marketing Cultural e Financiamento da Cultura, Economia da Cultura e Desenvolvimento Sustentável (pioneiro no tema e agraciado com o Prêmio Jabuti 2007) e Cidades Criativas (finalista do Prêmio Jabuti 2013); e editou livros digitais de escopo global, e.g. Economia Criativa como Estratégia de Desenvolvimento e Cidades Criativas – Perspectivas. Concebeu e realizou projetos de inteligência coletiva nas cidades, como “Criaticidades”, “Sampa CriAtiva” e o recém-lançado “OpenCity Lab”. É curadora de congressos internacionais em economia, cultura e cidades, Diretora de Conteúdo da ExpoGestão e membro da Associação Internacional de Economia da Cultura, do seleto Corpo Mundial de Peritos da UNESCO, da rede Repensadores e dos conselhos consultivos da Página 22, da Virada Sustentável e do Conselho Técnico da Steinbeis-Sibe do Brasil. Venceu o Prêmio Claudia 2013, em Negócios e foi apontada pelo jornal El País Brasil como uma das oito personalidades brasileiras que impressionam o mundo.

 

Michele Abreu Arroyo: Graduada em História e com mestrado e doutorado em Ciências Sociais, Michele Abreu Arroyo coordenou, de 1999 a 2012, a Diretoria de Patrimônio Cultural da Prefeitura de Belo Horizonte. Foi Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Minas Gerais, de 2013 a 2015. Atualmente é presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG). 

 

Cláudia Sousa Leitão: É professora dos mestrados profissionais em gestão de negócios turísticos e em planejamento e políticas públicas da Universidade do Estado do Ceará, onde participa do Grupo de Pesquisa sobre Políticas Públicas e Indústrias Criativas. Na UECE, criou e coordenou a especialização em gestão cultural e o mestrado profissional em gestão de negócios turísticos, tendo sido também coordenadora do mestrado acadêmico em administração, com foco na gestão da pequena e microempresa. Foi superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) no Ceará (2001-2002) e secretária de cultura do Estado do Ceará (2003-2006). O Programa Cultura em Movimento: Secult Itinerante, criado em sua gestão, rendeu-lhe o primeiro lugar do Prêmio Cultura Viva, do Ministério da Cultura (MinC), na categoria gestão pública. Vários dos seus programas tornaram-se referência para as políticas públicas nacionais de cultura, como é o caso dos programas: Agentes de Leitura e Mestres da Cultura Tradicional Popular. Foi responsável pela criação da Secretaria da Economia Criativa (SEC), do MinC, tendo sido sua primeira gestora, entre os anos de 2011 a 2013.

 

Katherine Watson: Diretora da Fundação Cultural Europeia (ECF) desde 2010. Antes da ECF, sua experiência internacional combinava produção interdisciplinar com advocacia, pesquisa, políticas e desenvolvimento de programas para ONGs artísticas e culturais com todos os níveis do governo. Possui interesse particular no impacto das mudanças digitais, na interseção das artes e da cultura com outros setores de experimentação, e em favorecer a expressão de todas as partes da sociedade civil. Katherine é atualmente vice-presidente do Centro da Fundação Europeia, organização filantrópica apoiada pela ECF e na qual tem um papel muito importante. A ECF foi criada no ano de 1954 em Genebra. Instituída em Amsterdam desde 1960, a ECF tem papel fundamental para subvenções e para acelerar, catalisar, conectar e comunicar sobre as iniciativas da sociedade civil por meio das artes e da cultura, que repensam e constroem a Europa como um espaço aberto, inclusivo e democrático.

 

Dominique Sagot-Duvauroux: Economista, professor na universidade de Angers (França), membro do grupo de pesquisa “Angevin en Economie et en Management”, onde atuou como diretor, de 2006 a 2012. Codirigiu o mestrado bidisciplinar em economia e geografia “Desenvolvimento das Empresas e Territórios” e é diretor-adjunto da Estrutura Federativa de Pesquisa Confluences. Especialista em questões relativas à economia cultural, publicou vários artigos e obras sobre esse tema e realiza frequentemente pesquisas e relatório técnico e de pesquisa especializada para o Ministério da Cultura francês. Também é membro de vários conselhos de administração de organizações culturais, tal como o “Fond Régional d’Art Contemporain des Pays de la Loire”, “Gens d’Images”, “Trempolino – La Fabrique”.

 

Francisco Bosco: O ensaísta é autor de Orfeu de bicicleta: um pai no século XXI, Alta ajuda, E livre seja este infortúnio, Banalogias, Dorival Caymmi, Da amizade e Antonio Risério (Org.). Mestre e doutor em teoria da literatura pela UFRJ. Foi colunista do jornal O Globo, de 2010 a 2015. Fundou e coordenou a rádio Batuta, do Instituto Moreira Salles. Atualmente é colunista da revista Cult. Ex-presidente da Funarte (2015/16), dirigiu a coleção Ensaios Brasileiros Contemporâneos, editada pela casa.

 

César Piva: Gestor cultural da Fábrica do Futuro e diretor executivo da Agência de Desenvolvimento do Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais. Atua no setor cultural e social desde 1995, com experiências em: programas de cultura, políticas públicas, economia criativa e desenvolvimento local; gestão de redes de cooperação, territórios criativos e consórcios intermunicipais, envolvendo governos, empresas, universidades e sociedade civil.



23/05/2017