Oficina de Formação Complementar na FAOP


No ofício de conservação e restauração de bens patrimoniais, o costume com determinados procedimentos e substâncias é uma parte essencial da qualificação profissional. Pensando nisso, o Núcleo de Conservação e Restauro da FAOP promoveu aos alunos do Curso Técnico, nos dias 17, 20 e 23 de novembro, duas aulas que fazem parte da Oficina de Formação Complementar. 

De forma extra-curricular, as turmas utilizaram, sob a supervisão dos técnicos responsáveis pela oficina, materiais e métodos conhecidos, porém, pouco experienciados. A ocasião é pensada como oportunidade de acumular práticas e de consolidar o conhecimento adquirido pelo aluno ao longo do curso. 

Segundo a técnica Ana Paula, “as oficinas ajudam os estudantes a prepararem materiais como adesivos, soluções de limpeza, vernizes e ferramentas que são utilizados nas práticas em sala de aula e, igualmente, na carreira deles”. Dessa forma, a FAOP pretende aplicar o projeto de formação complementar todo semestre, a fim reforçar os conteúdos do Curso.

Dias 17 e 20 de novembro:

Dividida em duas turmas, os alunos do quarto módulo do Curso Técnico em Conservação e Restauro fizeram a primeira aula de Formulação de Materiais guiados pelas técnicas Roberta Aparecida e Elisa Angélica Diniz, no dia 17, e por Ana Paula Mendes e Ludmila Ribeiro, no dia 20.

Foram desenvolvidos três tipos de adesivo (Moviol, Cola de coelho e CMC), uma massa de nivelamento, dois vernizes (Damar e Paraloid) e uma solução de limpeza (Edta). Tanto o processo de produção desses utensílios quando o próprio uso deles é de crucial aprendizado, os alunos irão aplicá-los nos projetos que desenvolvem nas aulas e nos trabalhos futuros que assumirão como técnicos em conservação e restauro.

Os adesivos são importantes para a refixação da massa pictórica das obras e no preparo das massas de nivelamento que, por sua vez, são usadas para preencher as lacunas na policromia. Já substâncias como o Edta, cuja utilidade está na limpeza, sua aplicação acontece em superfícies que precisam de solvente para a remoção de sujidades aderidas. Os vernizes, dependendo do seu tipo, podem atuar desde na saturação de cores, quanto na consolidação e proteção das obras.  

Dia 23 de novembro:  

Marcos Lins, aluno do curso na FAOP e luthier de profissão, ministrou uma aula de Confecção de Espátula em Osso. "Aprendendo a fazer as espátulas, o técnico é capaz de confeccionar exatamente a peça que ele precisa. O osso de vaca é dado de graça, não precisa comprar a ferramenta já pronta - e que nem sempre é barata -, ele mesmo pode resolver a situação", comenta Marcos.

As espátulas são fundamentais no restauro de obras em papel, mas é somente com o osso de vaca que se pode atuar da melhor forma sem danificar o material. Vez ou outra, a ferramenta, quando comprada pronta, não atende exatamente ao problema encarado pelo restaurados em certos casos. Porém, sabendo produzir ele mesmo confeccionar a peça, pode fazer espátulas maiores ou menores de acordo com a necessidade. 

Os alunos serraram, lixaram e poliram o osso. Da matéria bruta, eles fizeram uma peça delicada e precisa. Neste processo, Marcos explicou como cada ferramenta funcionava e como eles deveriam usá-las; deu dicas sobre os tipos de serras, lixas e limas que servem tanto para o trabalho proposto quanto para outras atividades manuais. 

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Serviço: Oficina de Formação Complementar

Data:  Dias 17, 20 e 23 de novembro. 

Público: Alunos do Curso Técnico em Conservação e Restauro da FAOP.

Informações: (31) 3551-2014


27/11/2017